domingo, 15 de novembro de 2009

Lágrimas, Ossos e Desejos.

Sem mais eira de aqui escrever,
Apenas um amianto de barbas tórridas.
Te Pareces muito formal, muito parnasiano?
Te parece que algo foi além, que aqui foi encontrado um altar?
Sem vocábulos, apenas com o vazio.

A vida já não basta, a fala se foi,
A escrita é uma perca. Uma degenaração de mim?
Algum leitor intruso e sem algum sentir ardente lê tais blasfêmias?
Que chatice, sempre voltando com as mesmas perguntas.
Desejo incansável de não mais querer estar nessas letras.
Ouço um ruido suave em meu grotesco coração.

Não choro mais como antes
Com lágrimas.
Hoje choro com plasma, com sorriso escondido no pranto.
Mas você raro leitor, o que quer?
Não quer encontrarme em teus abismos?
Te desejo como um demônio diurno,
correndo atrás do amor descontente.
Quer compartilhar?
Compartilhe tua aliança.

Pensas, que soberbo autor!
Ou talvez pseudo algo.
Meu tenro leitor que aí não estás
venha, se aventure na decadência enraizada de nós.
Vamos, é preciso coragem.
Não quero apenas devorar tua carne aquecida em brando nevoeiro.
Quero uma força que apenas você, leitor inexistente
quer e insiste em não me dar.

Sou ossos, quero lágrimas,
choro desejos.

De: Paulo Ricardo M. Xavier

domingo, 12 de julho de 2009

Mayane.

Onde encontrar?
Ah, mais uma vez, aqui, perguntando.
Pergunto, não por não saber, mas por não ter ainda encontrado.
Fico atônito com seu nao revelar-se.
Não quero querer-te mais que uma flor de lótus deseja o pântano.
Vejo apenas sua ocultação.

Onde ver tais olhos não físicos?
Sinto toda vitalidade de teu não querer,
toda sombra inocente dessa luz púrpura que te cerca.
Versos íntimos, melancólicos talvez.
Paixão?
O que significa tal conceito?

Agora estou sem conter meu espírito que vive ou morre.
Mas tudo pode ter sido bem feito se encontrei mais um ser ,
um único ser novamente, que paga todo sofrimento que possa ter sido.
Nome inconsolável, encorajado.
Maya de meus olhos e Era de meus poros.
Eis o velamento de mim.

Paulo Ricardo M. Xavier

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Temer o Antes ou o Depois?

Morte, pensamento, afeto sempre presente.
Percebo apenas medo ao redor de minha carne ainda aquecida.
Meu intelecto insosso se pergunta de onde deriva tal sentimento,
por que temos tanto medo de tanta paz?
Tememos o não existir antes de nascermos?
Não seriam ambas as mesmas situações?
Apenas deixar de existir, assim temamos o não existir antes do existir.

Meu ser não consegue conviver com tais preceitos.
Vejo apenas absurdos em vir do nada e partir para o sempre, com cargas terríveis, que herdamos de tempos em que ainda não éramos.
Assim descubro a eternidade de minha força vital, de meu real ser, real estar existindo.
Mas o que é esse ser que permanece eterno em nós?
Não sei, não posso.
Simplesmente percebo em sua sutileza alguns de seus sentidos e modos.

Como algo pré, sem racionalidade limitada percebo a não individuação do ser que está na vida.
Sim somos eternos, não como eu e sim como tudo.
Não penses com a lógica tradicional, irris[oria, que não entende a arte da eternidade não individual.
Somos o que fomos e seremos o que somos mais uma vez.
Qual a diferença entre esse cigarro que apago em um segundo fresco e suave e meu ser?
As diferenças são apenas representações.
O que é, apenas é , sem diferenciações e sem distorções.

Nego essa vontade cega de vida,
que venha a aparência do morrer e do nascer.
Estamos prontos para vivermos em um nível supraexperienciado?
Podemos ainda estar reunidos em um braseiro, em uma lâmpada imóvel?
Quero enxergar essa minha existência presente e sentir como nunca antes as cobras, escorpiões, pombas e plumas que compõe essa tragédia lírica, sublime que apenas o presente me propõe.
O depois, este me virá com um novo presente que nem ouso pensar ou dizer, quem saberia?
Quem ousaria?

De : Paulo Ricardo M Xavier

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Imperativos que Corroem.

Faça algo, não fique aí parado!
Seja útil!
Se enquadre!
Exigimos que jamais reflita, tome seu tempo em lazer e trabalho!

Que vozes esttridentes são essas que ouço constantemente?
Será um delírio?
Minha mente corre entre eses caminhos tortuosos do viver,
busca uma saída.
As vozes sempre voltam, mandam.
Terra seca esta que brota de meu peito, obrigação de estar sendo utilizável.

Como?
Um labirinto se apresenta à meus olhos.
Aquela faca aparece em meus sonhos diurnos.
Os moinhos de vento são realmente moinhos.
desencantado está o pensamento, apenas o que nos resta é a habilidade de se fazer.
Fazer o que estamos enfadados.
Agir como Eros em busca do prazer.

Meu sangue congela com essa inócua vontade externa de que faça.
Quero explodir a sinceridade das mãos que agem.
Sujo estou de uma mancha clara de suor.
Finjo ter saído disso tudo, finjo existir.
Amo maudosamente tudo o que não me é cobrado.

Faço, satisfeito tudo que vocês me pedem tão caridosamente.
Aceito de cabeça baixa seu amor por mim, não nego sua suavidade.
Vozes, sempre aos meus ouvidos imperando.
Vozes que não sei, não posso dizer de onde vêm.
Você sabe, você quer isso tudo?
Eu quero estar fora?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Ah! Quão Doloroso é Aquilo que se Torna Apenas Idéia.

A amo?
Sim, posso ter convicção de que a amo.
A toco?
Não, essa afavél pele não pode ser tocada por nefasta mão.
Apenas tenho a lágrima que cai como um veludo em meu colo,
lágrima de não poder estar ao lado dela.
Dizem que o amor é belo.
Por que em sua beleza ele é tão indiferente?
Por que a reciprocidade é um acontecimento raro em nossa sociedade ?

Vinho novo era poder beijar seus lábios.
Orvalho que refresca as narinas, dessa poeira pesada do cotidiano nas pedras de concreto.
Viver amando, eis a sina de todo amante da sabedoria romântica.
Amor que me cativa, me prende,
traz consigo a ininteligível vontade de não querer.
No meio de tempestades posso perceber que foi lindo.

As coisas se transformam.
Nada se torna fixo a não ser a fluidez.
Mas por que meu coração teima em querer-te como algo fixo?
Jamais poderia acabar ele diz, mas minha mente sabe que acabaria, que terminaria nosso laço universal de unificação.
Quero apenas ver seu rosto coberto por pétalas azuis,
cabelos negros como meus olhos turvos.
Ver seu sono de moça não conhecida pelos maus encontros.

Ai, ai, ai.
A dor é um sonífero? Uma anestesia do que se sente.
Vibrantes ondas catalizadas pelas minhas emoções frívolas invadem tudo que sou.
A ponta do ice berg despontam ainda no horizonte.
Ela diz nunca.
Mas nunca não tem tradução ainda.
Nunca é uma estação apenas, estação esta vivida no inferno.
Vamos, fique do lado do amor, não sejas tímida ou presa a preceitos inventados, criados pela história.
Amor se embriaga, se perde na floresta nua da selva redundante do discurso.

A Amo e não posso toca-la.
A amo, apenas mais um segundo minha alma sentiria a sua.
Já não sei mais a diferença entre, viver e sobreviver.
Amo só, naço só e morro só.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Monja Coen

Estou Aqui.

Não fujas.
Fique onde estás.
Sou seu consciente, seu estar sentindo todo sofrimento e bem estar desta vida.
Chegou o dia!
Precisamos conversar pessoalmente, sem interpéries.
Sou negada o tempo todo, por tolos preceitos racionais.
Meus braços são suaves para quem neles está, mas se tornam ardios á quem não o conhece, apenas os vê.
Sempre estou vindo, bato sem parar a porta da percepção.
Vamos caminhar por entre lumiares de estopas sujas pelo sangue inócuo do homem.
Te levar é mais que uma obrigação, é um querer.
Uma revolução daquilo que ainda não era, daquilo que sempre esteve oculto.
Pela ignorância?
Talvez.

Chega de tanta dor e tristeza,
um caminho puro e suave preparo à todos.
Tal caminho é desconhecido,
nisso persiste o medo, a negação que todos querem.
Não sou fria, apenas não sinto como o homem.
Vejo as coisas apenas como algo que está no ccoexistir mútuo do cosmo.
A distinção, são vocês que fazem e por isso sofrem tanto.
Não despertam para um novo amanhecer, um novo horizonte para se atingir.
Deixemos toda ignorância, tiremos todo véu.
Tais véis tem aparência de conforto, são prisões.
Sou bela , grandiosa e apaixonada.
Todos me verão, esa é minha maldade a ser paga.
Ah, não penso em questões de maldades e bondades, apenas faço, apenas trago.



quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mais um Ciclo

Esperanças e temores se confundem em meio a toda tempestade.
Busco, busquei e buscarei esse ciclo vital que transborda vitalidade.
Vivo o hoje, sendo um reflexodo escolhido.
Mais um ano terreno se esvai por entre meus dedos,
vejo-o como algo que se ganhou ou como algo que se perdeu?
Apenas sinto esse momento inebriante, em que meu ser passou a existir em um momento específico dessa vida.

Quero poder estar nos megatons, nos tablóides esquecidos.
Estar sempre como nunca existindo sempre.
Viver conforme o que construí, por minha porópria força vital.
A singularidade se torna presente, mas sempre me levando a uma unidade cósmica.
Tudo que passou deixou de existir, ou será que apenas se escondeu?
Não colocarei balanças de vidro em meu ser, evitarei pesar o que se chama de bom e ruim em minha existência.
Sei que já estou à alguns passos das flores, dos jardins suspensos.

Vivendo sempre.
Sonhando como quem nada espera do trágico.
Esperando ansiosamente o grande dia, o dia D.
Cauiterizo meus estímulos mentais de eros e thanatos.
Pulsões, apenas o que no fim resulta desses anos.
Apenas um afeto corta outro, por isso,
não me peças para racionalizar o que seria o melhor.
Nesse ciclo tudo seria refeito, remontado.
Sou um amontoado de peças de lego pronstas a serem espalhadas e remontadas constantemente.
Vivo, ou, morro.
Assim se complementa ciclos infindáveis de alegria, dor e êxtase.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Moribundo de um corpo opulente.

Que corpo vejo!
Dores terríveis o assolam, o atordoam.
Ah! Como compreender o merecimento ou não.
Apenas podemos enxergar a transformação de todas as coisas,
como expectadoras?
Não, não, não!
Ativos, vivenciando essa degradação tenebrosa que transmite venenos vitais para se morrer.

Necessito de um óculos tríplice.
Posso sentir os batimentos, pulsantes relações de autodestruição.
Brumas de poeira nefasta escondem o grande recomeço.
A identidade de tal ser, apenas se configura como sábio.
Sua vida uma torrente de inebriante pacacidade.

Olha o leite, olhe minhas navalhas que agora se voltam contra mim.
Busquei apenas viver, apenas passar os instantes como quem nada espera.
Encontrei no fim o sofrimento, inerente em nossa carnalidade.
Fim? Disse fim?
Recomeço, o confortante saber que se retorna há um estado originário.

Meu corpo se assola,
não ficará mais.
Meu espírito voa entre galhos de florestas tropicais.
e a história ?
Bom, essa...

Poema escrito em homenagem à meu avô, Manoel Alves de Oliveira

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Jogo Cósmico da Verdade Absoluta.

Deus, ciência e filosofia.
Cada centímetro de nossos afetos apontam e cêem.
A vida se torna intimamente nefasta a toda descrença.
Cremos, damos o salto no escuro,
a existência humana é etérea e bélica.
Quero poder estar nesse furacão estético imanente,
daquilo que nunca sai, que foge diante dos olhos vidrados e frios.

Não, traduz-se?
Vida presa e liberta no que traz um quê de divindade em todos os seres.
Apenas passamos,
não como carros, mas como criadores de verdades.
Em que o criar uma verdade é rebaixado?
Não compreendo.
A beleza fúnebre é extasiante, inócua.
Nela, nessa mendicante experiência , provamos o dom criativo.
Criar o que já existe.
Que bela capacidade ontológica fazendo parte de mim.

As Metralhadoras e mísseis apontam para esse coração inebriante da unificação humana.
A discussão sempre continua, como um inefável estar sempre aqui, nunca abandonando-os.
Quero além, quero sair de fronteiras vigiadase cheias de punições ao estar além.
Quero pular da ponte do sossego, ver o morcego novamente.
O budismo moderno foi um prelúdio de nossa existência efêmera, trágica e magnífica.

No fim de todas nossas verdades, que existem porque criamos.
Existirá ainda o sumir,
o silêncio.